domingo, 3 de julho de 2011

O uso de fontes escritas e arqueológicas para entender a prostituição no Império Greco-Romano

Parece que a escolha de um tema que nos abre espaço à reflexão de acontecimentos ocorridos num período da História que chamamos antiguidade, não seria possível, pelo menos em grande parte, sem a ação destemida de homens estudiosos, estadistas e eruditos que foram chamados de humanista. Na verdade a partir do século XII, a Itália vê surgir em lugar do peregrino devoto, a imagem do historiador e patriota, do poeta e “caçador” de fontes.

Esses homens tinham, fortuitamente, no mecenato literário de papas como Nicolau V, Pio II e Leão X, como também e de príncipes e reis, o estímulo e apoio necessário ao novo momento que se inicia: o renascimento.

Assim segundo Jacob Burckhardt, nobres e burgueses que conviviam num meio social comum, passaram a perceber a importância de uma melhor educação. E a libertação das influências medievais só seria possível através da antiguidade clássica. O autor também nos traz em sua obra, A cultura do renascimento na Itália, que naquele momento, as fontes escritas eram consideravelmente mais importantes do que as fontes arqueológicas. Eram vistas como as fontes de todo conhecimento e saber.

Petrarca, com a ajuda do grego Boccaccio consegue a primeira tradução para o latim das obras de Homero, Ilíada e Odisséia. Perotto faz a tradução de Políbio, e Guarino de Strabo. Tito Livio, Cícero, Virgilio e outros autores de discursos e obras latinas também foram fundamentais para dar sustentação a esse novo movimento. Por isso, graças a esses intelectuais do renascimento, mesmo diante do peso da Contra-Reforma, foi possível chegar àqueles que viveram a antiguidade clássica. E isto com seus negócios públicos, seus deveres, seus ócios, seus prazeres da carne, suas cortesãs, e suas amantes.

Petrônio foi retratado por tácito, como voluptuoso cortesão e ídolo de uma corte libertina e como, durante muito tempo, favorito de Nero. Petrônio escreve em sua obra Satíricon, uma narrativa sobre os vícios e atos impudicos vividos naquele momento do império. Provavelmente um protesto, mas que consegue descrever as festas regadas a muitos banquetes e orgias, freqüentadas, segundo o autor, por gente da vida cotidiana depravada: homossexuais, ninfomaníacas, alcoviteiras, etc.

“Amáveis impúdicos, novo ganimede, cínicos audaciosos, voluptuosos safos: o prazer nos aproxima, amemos em liberdade, bebamos à volúpia de todos os sentidos!” (Petrônio)

“O excesso de infâmia leva ao grau mais elevado de gozo aqueles que já esgotaram outros prazeres” ( Tácito)

Nos vestígios encontrados nas ruínas soterradas da cidade de Pompéia foi possível perceber que o sexo estava por toda parte: nos muros e nas paredes das residências, e em objetos de uso cotidiano como em lamparinas e/ou demais cerâmicas. Os registros iconográficos e arqueológicos mostravam a ativa vida sexual da população local como também daqueles que a visitavam.

Isto parecia tão fascinante, que mulheres da alta sociedade arriscavam sua nobreza para experimentar os prazeres da prostituição. Catherine Salles, autora do artigo “No covil das ‘lobas’ de Roma” publicado na revista História Viva número 81 nos traz a seguinte citação:

“Os prostíbulos do tempo dos césares foram imortalizados pelo famoso bordel de Pompéia. Preservada pelas cinzas do Vesúvio, a casa revela como trabalhavam as escravas do sexo nas cidades do maior império da antiguidade”.(p.30-37)

Assim o tema Prostituição no Império Greco-Romano, com certeza, teria algumas limitações quanto à sua análise e pesquisa. Acredito não ser um erro dizer que fontes pesquisadas através da arqueologia, arquivologia, iconografia, e mesmo fontes escritas, sejam praticamente impossíveis de serem exploradas no Brasil, no que se refere ao tema a ser pesquisado, se forem trabalhadas como fontes primárias. Mas fontes escritas como livros, artigos ou revistas e também a internet como arquivo e referência poderiam ser utilizadas para o bom desempenho da análise e pesquisa pertinente. No caso da internet, basta que se tenha cuidado com Web sites que não citarem referências ou não comprovarem a origem dos documentos.

Referências Bibliográficas:

Borges, Vavy Pacheco. O que é história. 2ª Ed. São Paulo: Brasiliense, 2007.

Pinsky, Carla B.(org.). Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2005.

KARNAL, Leandro. TATSCH, Flavia Galli. A memória evanescente. In: O Historiador e suas fontes/ Carla Bassanezi Pinsky e Tania Regina de Luca (orgs.). – São Paulo : Contexto, 2009.

Petrônio. Satíricon. Tradução Alex Martins. São Paulo. Martin Claret, 2003.

Burckhardt, Jacob Christoph. A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio. Tradução Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Salles, Catherine. No covil das “lobas” de Roma. Revista História Viva nº 81, p.30-37.

Discente: José Hailton Quaresma

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