domingo, 3 de julho de 2011

História e oralidade

Reconstituir os fatos do passado sempre foi uma tarefa árdua a nós historiadores. As fontes são muitas e heterogêneas, fato que dificulta ainda mais o desenvolvimento da pesquisa, por isso devemos ser críticos e criteriosos quanto à seleção e analise das fontes que iremos trabalhar.

O texto de Karnal e Tatsch “O historiador e suas fontes” aborda essa questão das fontes historiográficas. A concepção de documento se modificou muito ao longo dos anos. Antigamente só era considerado documento o papel escrito como cartas, testamentos, escrituras e diversos outros. Com o surgimento dos Annales as “micro-histórias” ganharam espaço entre os historiadores, e esse fato foi muito importante, pois a concepção de documento passa a ser tudo o que retrata a ação do homem, como a arte, a oralidade, os recursos audiovisuais, etc.

Pensando nessa transformação a minha proposta é analisar os hábitos alimentares regionais por meio da oralidade. O texto de Elias Saliba “Aventuras Modernas e Desventuras Pós-Modernas.” relata que existem inúmeras implicações a respeito das fontes orais. Entre os historiadores há certo preconceito com tais fontes, se alega que a oralidade e a memória caminham juntas e a memória do homem muitos vezes é falha e imprecisa, o que pode levar a uma distorção dos fatos.

Algo importante que o texto traz é que devemos analisar a história como uma “história-problema”, e em hipótese alguma devemos estudar qualquer documento que seja de forma isolada, sem estar inserido em um contexto. Segundo o autor “O documento é antes de tudo, dizia-se, um sistema de representação.” (p.320)

“O documento, escrito ou não escrito, é um pequenino ponto de toda uma série de estruturas humanas desaparecidas, mas por capricho, fruição, contingência- e até mesmo algumas excentricidades- acabaram por sobrar e substituir o presente.” (p.322)

Outro ponto fundamental que abrange a minha proposta de pesquisa é o estudo da história regional, Jane Rodrigues trata isso de forma clara em seu texto “História e Memória Local: Desafios e Perspectivas.”, alegando que a história regional é muito rica, porém desvalorizada e somente agora começa a ser estudada pelos historiadores.

Por meio de entrevista com idosos sobre os hábitos alimentares que eles tiveram ao longo de suas vidas, será possível fazer uma reconstrução de como a nossa região se desenvolveu econômica, política e socialmente. A memória é muito importante para a história regional, a fonte oral nesse caso revela mais informações que qualquer outro tipo de fonte sobre o tema proposto.

A fonte oral é muito rica é merece maior destaque em nossas pesquisas. Resgatar a memória é uma forma de aproximar a população da história, e fazer isso por meio do estudo dos hábitos alimentares é uma forma suave de descobrirmos os fatos históricos como, por exemplo: se em determinado momento algum alimento não era consumido devido a pestes, pragas, escassez do solo ou preços abusivos devido à inflação, por meio de algo que agrada a todos que é a gastronomia, afinal é a história de nossos antepassados que será contada, isso transforma a história em algo mais acessível ao povo e menos erudita.


Referência bibliográfica:


KARNAL, Leandro e TASTCH, Flávia Galle. A memória evanescente. IN: O historiador e suas fontes./ Carla Bassanezi Pinsky e Tania Regina de Luca (orgs.) . Editora: Contexto. São Paulo, 2009.

RODRIGUES, Jane de Fátima Silva. História e Memória Local: Desafios e Perspectivas.

SALIBA, Elias Tomé. Aventuras Modernas e Desventuras Pós-Modernas. In: O historiador e suas fontes. EDITORA: Contexto, 2009.


Nome: Kamilla Cristine Fernandes Silva.

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