domingo, 8 de maio de 2011

Tema: “Dilemas do historiador: da visão macroscopica ao jogo de escalas".


Legenda: Rirkrit Tiravanija and Neil Logan defaced an atomic bomb cloud

“Manchete: “Assassinato, jovem garota morta.
Tiroteio desesperado em Echo’s Hill.
Final terrível, assassino morreu.
Suicídio evidentemente”.
(...) Teria acontecido uma luta violenta?
Havia todos os indícios que levavam a isso.
A testemunha achou um canivete no chão.
Estava a vítima despreparada?
Eles continuaram a investigar.
Eles encontraram um bilhete no bolso do assassino.
Poderia ser uma carta de suicídio?
Talvez ele tivesse perdido o amor dela.
(...) Nossos feitos têm viajado para longe.
O que nós temos sido é o que nós somos”.
(Beyond this life - Dream Theater)

Para tratar da temática “Dilemas do Historiador: da visão microscópica ao jogo de escalas”, decidimos usar dois meios de correlação: a imagem acima - retirada do site de blogs famoso, o tumblr - e o excerto da música “Beyond this life”, da banda que há mais de vinte anos trilha o caminho do instrumental rock: Dream Theater.
De início, pode-se pensar como coisas difíceis de relacionar. Mas ao pensarmos as estruturas vistas no texto intitulado “História dos, nos e por meio dos periódicos” de Tânia Regina de Luca, as coisas começam a fazer sentido. Achando que a melhor forma de estruturação para delinear a temática é dar os parâmetros que achamos necessários no texto à construção dos objetos - imagem e excerto - pretendemos discorrer aqui de forma simples a construção permeada por nós na disciplina “Educação e Desenvolvimento de Projetos - 5”.
Neste presente texto - “História dos, nos e por meio dos periódicos” de Tânia Regina de Luca -, podemos dizer que a luz do conteúdo presente em jornais e revistas como fonte/por meio da imprensa para o “conhecimento” - e aí, saber e interpretar o que é “conhecimento”, já que é uma coisa relativa aos sujeitos - foi por vezes uma preocupação de pronto da construção qualitativa dos historiadores. Os jornais, considerados como “enciclopédias do cotidiano” revelam um fluxo de “registros do presente” que, ao passo de se atender a diversas representações deste - e aí, lembrando de Chartier e seus estudos -, são submersos aos mais diversos interesses - e, neste caso, aos mais subjetivos meios para captar o ocorrido. O historiador, ao enxergar as estruturas do ocorrido e proceder de forma diferente no “captar”, - com seus procedimentos metodológicos adquiridos nas disciplinas -, reavalia a produção do saber histórico e utiliza-se das várias problemáticas que podem abarcar os mais diversos objetos - ampliando a gama de estruturas.
Os aportes analíticos interdisciplinares ao passo que oferecem diversas formas metodológicas, forçam o historiador a reavaliar as fronteiras de sua própria disciplina e mostram portanto um novo meio de se fazer História além dos limites do simples “escrito”, presentes nas ordens estruturais de uma historiografia já engessada. O passar de um “paradigma em que a análise macroeconômica era primordial para uma História que focaliza os sistemas culturais” que a autora cita, evidencia uma nova estruturação e relação entre os diversos objetos - agora possíveis - abarcados pelo historiador em seu ofício. O perceber a experiência de grupos e camadas sociais por simples “folhetos que revelam a estrutura cotidiana” é, de fato, um novo modelo de se interpretar as formas de escrita e revelação de uma sociedade numa época instaurada. Como assinalou Antoine Prost: “alterou-se o modo de inquirir os textos, que “interessará menos pelo que eles dizem do que pela maneira como dizem, pelos termos que utilizam, pelos campos semânticos que traçam””; e aí, na contribuição da autora, a complementação disto no “pelas zonas de silêncio que estabelecem”.
A História e o esforço por uma abordagem que utiliza-se das mais diversas fontes determinam o que “preconizar” - com base no panorama teórico-metodológico - e define o que contribuir de seu ofício. Assim, ao se avaliar a documentação periódica - jornais e revistas -, tomando-a como “fonte histórica”, há de se levar em conta que o conteúdo que mistura o “imparcial e o tendencioso” testam o panorama teórico-metodológico adquirido pelo historiador que abarca esta área. Desta maneira, ao utilizar-se e delimitar a temática pela qual irá tratar e a forma do como leva essa construção determinam a qualidade do historiador e da produção à que este legará a sua comunidade de ofício. A “verossimilhança” neste quesito nos lega que a História que está sendo construída é passível de desconstrução - ao passo que cada objeto estudado ou achado pode definir um novo rumo na História. Assim, sabendo que seu ofício não é fechado e é readequado às diversas interpretações, o historiador não é um sujeito solitário, e sim que trabalha em conjunção aos demais historiadores que lhe irão atribuir sentidos dos mais diversos possíveis.
Porque então utilizar-se de uma música e de uma imagem para pensar estes dois textos? Pois a sistematização e o proceder histórico adquirido pelo historiador em seu ofício que determinam uma diferenciação no escrever na dimensão/interpretação abarcado. Desta maneira, a imagem nos traz - aqui, descrevendo-a - a incompletude de um fato devido as “peças” que faltam no quebra-cabeça. Aqui, podemos equiparar ao nosso ofício: o fato está lá, mas as interpretações e o modo como encaixamos a peça definem o nosso proceder e nossa contribuição na consolidação do fato. Ao passo que esse quebra cabeça é uma explosão de algo - a que não sabemos, mas cabe desvendar -, temos que levar em conta também que a explosão define algo - para alguém - que “não o quer lembrar” - ou seja: aos sujeitos que a sofreram; aos fatos vividos por alguém. O respeitar o fato histórico sem ferir o nosso ofício - que pretende mostrar interpretações diversas dele - compreende o “até onde ir” e pensar no “Quem escreve? Para quem escreve? O que? Quando? Onde?” de Vavy Pacheco. É uma tarefa mais difícil, mas que deve ser tratada. Interpretar e escrever delimitam a tarefa incansável e difícil que é ser “homem” - enquanto ser: enquanto aquele que sofre, tem angústias e que luta - e “homem num ofício” - ser “aquele que deve oferecer uma contribuição sólida para os seus e para o esvair da vida cotidiana”.
Já o excerto, mostra o nosso legado. A manchete está lá, resumida em quatro estrofes. As pessoas estão lá, mostrando a dimensão dos momentos. E nós, muitas vezes, estamos a escrever sobre um presente momento - que pode ser o mesmo ou outro -, e que interfere no que somos e no que fomos anteriormente. E assim: “(...) Nossos feitos têm viajado para longe. O que nós temos sido é o que nós somos”.
Vemos. Pensamos. Somos seres. Escrevemos. Estamos sujeitos a várias situações e desejos. E somos historiadores. Escrevemos História, fazemos história e somos envolvidos por várias outras delas. Este é portanto, o caráter de nosso ofício: Considerar as dimensões do homem e saber que também somos um.
Discentes: Kamilla Cristine; Karine Batista e Marcela Cristina de Faria.
Bibliografia
LUCA, T.R. de. História dos, nos e por meio dos periódicos. IN: Fontes históricas.
[s.d]. Disponível em: <http://www.pablogt.com/artists/rirkrit-tiravanija-and-neil-logan/>. Acesso em 8 mai. 2011.

Um comentário:

  1. Somos sujeitos e objeto da história, daí o dilema da visão macroscópica ao jogo de escalas pressupor termos clareza nas escolhas teórico-metodológicas. O que queremos fazer? Como encaixar as peças no quebra-cabeças?
    Pois é, meninas, Clio nos desafia continuamente.

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